Pecado: que é? Que é pecado grave? Que é pecado leve? Que é pecado contra o Espírito Santo?

 

1. O pecado é um Não dito a Deus
É ofensa a Deus não porque faça Deus sofrer, mas porque viola a ordem estabelecida por Deus. Esta violação fere também o pecador, prejudicando-o gravemente, porque o priva do maior bem, que é a união com Deus. Por isto já diziam os filósofos gregos anteriores a Cristo: é melhor sofrer uma injúria do que cometer uma injúria; tal verdade reaparece em 1 Pd 2, 19s.

Em todo pecado há sempre dois aspectos: a conversão indevida a uma criatura e a aversão frente a Deus. Geralmente o pecador só deseja explicitamente a primeira; não tenciona diretamente afastar-se de Deus, embora implicitamente perceba que o prazer indevido é incompatível com a união a Deus.

2. Distinguem-se pecado venial ou leve, pecado mortal ou grave e pecado contra o Espírito Santo.
2.1) O
 pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12, 31; Mc 3, 28-30; Lc 12, 10) é a recusa explícita do perdão e da graça de Deus. O Espírito Santo é o Mestre interior que nos atrai para o Pai; quem se fecha a Ele, coloca-se em situação de auto-condenação, porque se recusa ao próprio remédio ou ao dom de Deus. Tal atitude também é chamada "pecado para a morte" (cf. l Jo 5, 16).

2.2) O
 pecado mortal ou grave ocorre quando se preenchem três condições: a) matéria grave, importante; b) conhecimento de causa; c) vontade deliberada. É dito mortal porque, conforme a Escritura, leva à morte ou à perda da vida definitiva (cf. l Jo 3, 15; 1 Cor 6, 9; GI 5, 19s).

2.3) O
 pecado venial ou leve se dá quando falta um dos três requisitos acima. Não tira a vida da graça ou a filiação divina, mas contribui para torná-la  anêmica.
Nem sempre é fácil ao cristão traçar a linha divisória entre pecado grave e pecado leve, pois a pessoa por vezes não pode definir até que ponto consentiu no pecado, nem sabe exatamente avaliar a importância da matéria em torno da qual pecou.

Entre o pecado venial e o mortal há enorme diferença. O conceito pleno de pecado só se aplica ao pecado mortal; este é realmente uma desobediência propriamente dita; o pecado venial, ao contrário, seria uma desobediência imperfeita; ele pode coexistir com a orientação fundamental do cristão para Deus. Por isto também se compreende que muitos pecados veniais não chegam a constituir um pecado mortal; é certo, porém, que provocam um enfraquecimento da vontade e do amor a Deus, de modo que abrem o caminho para que a pessoa cometa um pecado mortal.
Para obter o perdão dos pecados mortais, o meio ordinário é o sacramento da Penitência. Quanto aos pecados veniais, podem ser apagados por um ato de contrição ou por uma obra de caridade, mas a Igreja recomenda sejam submetidos ao sacramento da Reconciliação, pois é muito frutuosa a freqüentação deste sacramento mesmo por parte daqueles que não têm pecados graves (ver Exortação "Reconciliação e Penitência" n° 31, 1).

Observação:
Ultimamente tem sido proposta a distinção de quatro (e não três) tipos de pecado: o leve, o grave, o mortal e o pecado contra o Espírito Santo. 1) O pecado leve seria comparável a doenças leves que afetam um organismo (gripe, p. ex.). 2) O pecado grave seria uma moléstia grave... moléstia grave que ameaça a vida, mas não acarreta a morte (assim o pecado grave não extinguiria a vida da graça santificante no cristão). 3) O pecado mortal, sim, faria perder a graça santificante; só ocorreria nos casos em que a pessoa dissesse um Não explicito a Deus, mudando sua opção fundamental ou fazendo de uma criatura o pólo de toda a sua vida; 4) O pecado contra o Espírito Santo seria o da impenitência voluntária. Segundo estas concepções, o pecado mortal seria raro, pois poucas vezes o pecador, ao procurar um prazer, tenciona revoltar-se contra Deus; por conseguinte, uma pessoa que tivesse consciência de haver pecado gravemente, poderia receber a S. Eucaristia sem recorrer ao sacramento da Penitência. Por exemplo, quem cometesse um adultério consciente e voluntário, mas logo depois se entristecesse e procurasse ser fiel ao seu matrimônio, não perderia a vida da graça e poderia assim receber a S. Comunhão .
Ora tal
 doutrina recente foi repetidamente rejeitada pelo magistério da Igreja. Este continua a identificar pecado grave e pecado moral, e admite que alguém possa pecar mortal ou gravemente sem mudar a sua opção fundamental. São palavras do S. Padre João Paulo II:
"Há de evitar-se reduzir o pecado mortal a um ato de “opção fundamental” contra Deus - como hoje se costuma dizer - entendendo com isso um desprezo explícito e formal de Deus e do próximo. Dá-se, efetivamente, o pecado mortal também quando o homem, sabendo e querendo, por qualquer motivo escolhe alguma coisa gravemente desordenada. Com efeito, uma escolha assim já está incluindo um desprezo do preceito divino, uma rejeição do amor de Deus para com toda a criação; o homem afasta-se de Deus e perde a caridade. A orientação fundamental pode, pois, ser radicalmente modificada por atos particulares" (Exortação Apostólica "Reconciliação e Penitência" n° 17). Ver também Declaração "Persona Humana" da S. Congregação para a Doutrina da Fé de 29/12/75, n° 10).

Autor: D Estevão
Fonte: Pergunte e Responderemos, julho 2005 517