NÃO DESISTA
Estamos
às vésperas do grande feriado nacional, dia de comemorações em todo o Brasil,
dos 187 anos de Independência. Certamente, temos muitos motivos para festejar e
levar para as ruas as alegrias e sucessos deste povo
que Deus tanto ama, que luta, sofre e acredita em dias melhores. Também
carregamos motivos que nos entristecem, como as notícias dos nossos políticos,
a situação de pobreza crescente, as doenças contagiosas, a violência
incontrolável, enfim, motivos que nos deixam preocupados e nos alertam para uma
retomada, de maneira especial, de todas as iniciativas que venham proporcionar
um Brasil dos nossos sonhos.
Neste
momento, vale colocar na mente e no coração, um grande entusiasmo, para
encarar, de frente, os obstáculos que são oportunidades
e não retrocessos. Assim como o avião alcança altura voando contra o vento e as
pipas que os meninos empinam só sobem se existir ventos contrários, acredito
que, na vida, tudo que for bem encarado, nos leva a crescer e subir a patamares
mais altos e melhores para todos. Nos encontros, digo aos jovens que precisamos
ir sempre para frente, nunca para trás. Mesmo quando caímos, caímos para
frente. Vejo que não temos motivos para o pessimismo e sim para acreditar nas
pequenas iniciativas e valorizá-las, como força dos pequenos.
Como
patriotas, somos convocados a fazer parte da “Ordem e do Progresso”. Não é por
simples capricho que, na bandeira, ostentamos este lema; não é por enfeite que
na harmonia das cores verde, amarelo, azul e branco, está estampada a marca da
índole desta nação, plurirracial e multiétnica, de um país de dimensão continental. Assim a
festa da Pátria grande refloresce em nós um amor cada vez maior pelo Brasil e
pelo seu povo heróico e varonil. Ao soar o hino nacional, renovamos o nosso
amor de patriotas, nas estrofes, Brasil,
um sonho intenso, um raio vívido. De amor e de esperança a terra desce... Entre
outras mil és tu Brasil...Ó Pátria amada....Brasil, de
amor eterno seja símbolo....Paz no futuro e glória do passado.
Não
vale a pena desistir. Temos tudo, não falta nada. Precisamos sim, fazer que o
amor seja mais solidário e concreto, que os discursos
não sejam promessas apenas, que nossos líderes ponham a mão na consciência, que
o pão seja repartido, que os bens da terra e do céu seja para todos, que
ninguém seja excluído da mesa da dignidade humana, que em todos os momentos
saibamos olhar ao redor, para poder olhar para cima. O amor que cultivamos é
dom do Deus-Amor.
Só
amamos porque fomos amados por primeiro. “Se Deus tanto nos ama, a ponto de
fazer-nos seus filhos o que mais poderíamos querer? Se Deus me ama e me chama
de filho, todo o resto para mim, pouco vale. Até mesmo nenhum sofrimento,
nenhuma fadiga, nenhum sacrifício, nem a morte, podem tirar-me esta alegria
intensa, esta felicidade serena e segura de saber que sou filho de Deus e de
que Ele me ama. Então começo a entender melhor por que Jesus tantas vezes falou
aos seus discípulos: “Não tenham medo”! De que eu deveria ter medo, se Deus é
meu Pai e me ama?” (Cardeal Cláudio Hummes). Assim
vale a pena celebrar mais um ano de Independência.
Não
desista! Acredite e agradeça!
*Dom
Anuar Battisti é Arcebispo de Maringá